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quarta-feira, 14 de novembro de 2007

A DOR DE PERDOAR

TEXTO BASE

E disse: Um certo homem tinha dois filhos. E o mais moço deles disse ao pai: Pai, dá-me a parte da fazenda que me pertence. E ele repartiu por eles a fazenda. E, poucos dias depois, o filho mais novo, ajuntando tudo, partiu para uma terra longínqua e ali desperdiçou a sua fazenda, vivendo dissolutamente. E, havendo ele gastado tudo, houve naquela terra uma grande fome, e começou a padecer necessidades. E foi e chegou-se a um dos cidadãos daquela terra, o qual o mandou para os seus campos a apascentar porcos. E desejava encher o seu estômago com as bolotas que os porcos comiam, e ninguém lhe dava nada. E, caindo em si, disse: Quantos trabalhadores de meu pai têm abundância de pão, e eu aqui pereço de fome! Levantar-me-ei, e irei ter com meu pai, e dir-lhe-ei: Pai, pequei contra o céu e perante ti. Já não sou digno de ser chamado teu filho; faze-me como um dos teus trabalhadores. E, levantando-se, foi para seu pai; e, quando ainda estava longe, viu-o seu pai, e se moveu de íntima compaixão, e, correndo, lançou-se-lhe ao pescoço, e o beijou. E o filho lhe disse: Pai, pequei contra o céu e perante ti e já não sou digno de ser chamado teu filho. Mas o pai disse aos seus servos: Trazei depressa a melhor roupa, e vesti-lho, e ponde-lhe um anel na mão e sandálias nos pés, e trazei o bezerro cevado, e matai-o; e comamos e alegremo-nos, porque este meu filho estava morto e reviveu; tinha-se perdido e foi achado. E começaram a alegrar-se. E o seu filho mais velho estava no campo; e, quando veio e chegou perto de casa, ouviu a música e as danças. E, chamando um dos servos, perguntou-lhe que era aquilo. E ele lhe disse: Veio teu irmão; e teu pai matou o bezerro cevado, porque o recebeu são e salvo. Mas ele se indignou e não queria entrar. E, saindo o pai, instava com ele. Mas, respondendo ele, disse ao pai: Eis que te sirvo há tantos anos, sem nunca transgredir o teu mandamento, e nunca me deste um cabrito para alegrar-me com os meus amigos. Vindo, porém, este teu filho, que desperdiçou a tua fazenda com as meretrizes, mataste-lhe o bezerro cevado. E ele lhe disse: Filho, tu sempre estás comigo, e todas as minhas coisas são tuas. Mas era justo alegrarmo-nos e regozijarmo-nos, porque este teu irmão estava morto e reviveu; tinha-se perdido e foi achado.
Lucas 15:11-32 (Almeida Revista e Corrigida)



INTRODUÇÃO

Escolhi esta conhecida história bíblica com base deste pequeno estudo por achá-la uma perfeita história de perdão e de falta de perdão também. Temos um Pai que ansioso em perdoar. Esperava a volta do filho perdido, não olhando para os erros, apesar da dor da ofensa, a dor da distância era bem maior. Ainda sem uma palavra de pedido de perdão por parte do filho, já o Pai o abraçava e recebia. Mas no entanto o coração do Filho já estava verdadeiramente cheio de arrependimento.
Ali estava também um irmão ofendido, não com o irmão dissoluto, mas sim com o seu Pai. Sentia-se injustiçado, afinal ele merecia uma outra consideração do Pai, merecia ser amado - ele conquistou com esforço e serviço esse amor. Quem poderá condenar este filho mais velho? Quem se atreverá a achar-se superior aos sentimentos de confusão, injustiça, incompreensão, perca e sobretudo de abandono deste filho mais velho, que com cuidado, trabalho, esforço tinha conquistado um lugar ao lado do Pai. Quantos de nós partilhamos estes pensamentos.
Perdão, amor, compreensão, estão ligados a dor, sofrimento e perca, humildade.
Daí a importância de pensarmos em perdão. É necessário aprendermos a pedir perdão quando erramos, mas mais difícil ainda é saber perdoar. Sim, o Pai perdoou o filho, mas o irmão, o irmão não teve essa capacidade de perdoar: ele julgou-o, não o compreendeu, não recebeu o arrependimento do irmão; não entendeu o amor, o valor que o Pai atribuía ao irmão, não pelo que fez, mas apenas por ser quem era, filho do Pai. Enfim o irmão não sentiu que maior que a dor da ofensa é a dor da distância, a dor de um relacionamento desfeito, quebrado, interrompido.
Quantas vezes nos confrontamos com uma mesma situação. Somos ofendidos, o ofensor pede-nos perdão e depois não sabemos como lidar, o que fazer, como ficar, o que pensar após esse pedido. Outra vezes também não somos capazes sequer de aceitar esse pedido de perdão, não somos capazes de descer do pedestal da razão ou da crítica, não entendemos o nosso papel ao colocarmo-nos também em questão e se a “verdade”, a razão da ruptura não está também em nós.
Todas estas questões são muito importantes, daí a razão deste estudo que tem o objectivo muito simples de nos ajudar a ser perdoados e perdoadores, pacificadores, que são bem-aventurados, levando a que também, ao compreendermos que muitas vezes o perdão não é uma coisa imediata, mas um processo, por vezes lento, não nos sintamos culpados, por não sermos como Deus, como tantas vezes de forma errada ouvimos dizer.
Vamos reflectir então sobre a “Dor de perdoar”.




PORQUE DÓI TANTO PERDOAR?

Algum tempo depois Deus pôs Abraão à prova. Deus o chamou pelo nome, e ele respondeu: —Estou aqui.
Então Deus disse: —Pegue agora Isaque, o seu filho, o seu único filho, a quem você tanto ama, e vá até a terra de Moriá. Ali, na montanha que eu lhe mostrar, queime o seu filho como sacrifício.
No dia seguinte Abraão se levantou de madrugada, arreou o seu jumento, cortou lenha para o sacrifício e saiu para o lugar que Deus havia indicado. Isaque e dois empregados foram junto com ele. No terceiro dia, Abraão viu o lugar, de longe. Então disse aos empregados: —Fiquem aqui com o jumento. Eu e o menino vamos ali adiante para adorar a Deus. Daqui a pouco nós voltamos. Abraão pegou a lenha para o sacrifício e pôs nos ombros de Isaque. Pegou uma faca e fogo, e os dois foram andando juntos. Daí a pouco o menino disse: —Pai! Abraão respondeu: —Que foi, meu filho? Isaque perguntou: —Nós temos a lenha e o fogo, mas onde está o carneirinho para o sacrifício? Abraão respondeu: —Deus dará o que for preciso; ele vai arranjar um carneirinho para o sacrifício, meu filho. E continuaram a caminhar juntos. Quando chegaram ao lugar que Deus havia indicado, Abraão fez um altar e arrumou a lenha em cima dele. Depois amarrou Isaque e o colocou sobre o altar, em cima da lenha. Em seguida pegou a faca para matá-lo.
Mas nesse instante, lá do céu, o Anjo do SENHOR o chamou, dizendo: —Abraão! Abraão! —Estou aqui—respondeu ele. O Anjo disse: —Não machuque o menino e não lhe faça nenhum mal. Agora sei que você teme a Deus, pois não me negou o seu filho, o seu único filho. Abraão olhou em volta e viu um carneiro preso pelos chifres, no meio de uma moita. Abraão foi, pegou o carneiro e o ofereceu como sacrifício em lugar do seu filho. Abraão pôs naquele lugar o nome de “O SENHOR Deus dará o que for preciso.” É por isso que até hoje o povo diz: “Na sua montanha o SENHOR Deus dá o que é preciso.”
(Génesis 22:1-14 – Nova Tradução na Língua de Hoje)

Em verdade, em verdade vos digo que, se alguém guardar a minha palavra, nunca verá a morte. Disseram-lhe pois os judeus: Agora conhecemos que tens demónio. Morreu Abraão e os profetas; e tu dizes: Se alguém guardar a minha palavra, nunca provará a morte. És tu maior do que o nosso pai Abraão, que morreu? E também os profetas morreram: quem te fazes tu ser? Jesus respondeu: Se eu me glorifico a mim mesmo, a minha glória não é nada; quem me glorifica é meu Pai, o qual dizeis que é vosso Deus. E vós não o conheceis, mas eu conheço-o: e, se disser que não o conheço, serei mentiroso como vós; mas conheço-o e guardo a sua palavra. Abraão, vosso pai, exultou por ver o meu dia, e viu-o, e alegrou-se. Disseram-lhe pois os judeus: Ainda não tens cinquenta anos, e viste Abraão? Disse-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo que antes que Abraão existisse eu sou.
(João 8:51-58 – Almeida Revista e Corrigida Edição de 1969)

Perdoar dói. Perdoar é difícil. Perdoar implica muitas vezes um acto de sacrifício. Sim, ao contrário do que muitas vezes pensamos, não é só pedir perdão que é difícil, perdoar pode por vezes ser muito mais difícil.
Escolhi dois textos bíblicos para encabeçarem esta parte que aparentemente nada têm entre si. Mas não é bem assim. Jesus estava a falar do primeiro dos textos, da história aí contada, quando no segundo texto afirmou “Abraão, vosso pai, exultou por ver o meu dia, e viu-o, e alegrou-se.” Muita confusão isto fez aos Judeus, afinal Jesus tão novo, como poderia ter sido visto por Abraão.
Mas sim um dia Abraão viu o dia de Jesus. Este homem foi chamado por Deus para sair do seio da sua família, dirigir-se para o deserto, recebeu a promessa de que seria pai de muitas nações, que a sua descendência seria como as estrelas do céu, no entanto a sua esposa era estéril. Que contradição terrível, como encheria os nossos corações de dúvida. Porém Abraão não duvidou, manteve-se firme nas promessas do seu Deus. Tinha deixado todas as suas raízes por Ele, tinha deixado toda a segurança e todas as suas referências culturais e familiares por este Deus, claro que não duvidaria – teria sempre fé. Com o passar do tempo, porém, a dúvida surgia. A idade de Abraão e de Sara avançava e filhos nada. Onde estava afinal o cumprimento da promessa de Deus. Penso por vezes que de vez em quando Abraão devia pensar que estava louco, afinal tinha dirigido toda a sua vida, abandonado toda a sua família e nbação por causa de uma ilusão. Não sei se estas dúvidas assaltaram o coração de Abraão, mas sei que, se estivesse no seu lugar, certamente iria pensar assim. Surgiu então uma ideia. Bem se o filho não nasce com Sara, quew era estéril, nasce com outra. Abraão, devidamente autorizado pela esposa, engravida uma escrava da sua casa. Nasce um filho, de nome Ismael, que no entanto, para seu espanto, lhe foi dito por Deus, que aquele não era o filho da promessa. Deus disse a Abraão que apesar do ventre envelhecido de Sara, esta ainda daria à luz um filho. Abraão riu-se e Deus não gostou. Aquele riso era sobretudo um gesto de dúvida, de descrença, de falta de confiança, de fé, em Deus. Mas Isaque, o filho da promessa, apesar da dúvida e após longa espera do Pai nascia. Ali estava o milagre, o filho esperado e prometido por Deus ali estava.
Porém um dia Deus provou este homem. Idoso, duro como o sol do deserto, mas agora de coração moldado e moldável à vontade de Deus. Deus pediu o seu filho em sacrifício. Ele mesmo, o Pai, teria que entregar à morte o filho da promessa – o filho prometido e tão ansiosamente aguardado teria de morrer.
Eu nunca entregaria o meu filho à morte. Seria incapaz e por isso peço em cada dia perdão a Deus. Mas Abraão foi capaz. Tudo preparou até ao momento em que de cutelo no ar iria desferir o golpe mortal sobre Isaque. É também de ressaltar a sujeição, a entrega voluntária do filho. Este já era um rapaz, um adolescente, perfeitamente capaz de resistir ao pai. No entanto não o fez. Completamente rendido ele entregou-se para o sacrifício. No último momento o Anjo aparece e diz a Abraão: “Não machuque o menino e não lhe faça nenhum mal. Agora sei que você teme a Deus, pois não me negou o seu filho, o seu único filho.” Foi aí nesse instante que Abraão viu o dia de Jesus. Ele teve um vislumbre do futuro, o plano de Deus tornou-se claro diante dos seus olhos – Abraão viu Deus a entregar o seu Filho às morte e este a dar-se voluntariamente, tudo isto para que a ofensa, a injustiça, o pecado do homem pudessem ser perdoados.
Perdoar dói, e dói muito.
Mas vamos aprofundar um pouco mais a questão e responder à pergunta que dá título a esta parte: Porque dói tanto perdoar?

Porque é consequência de uma ofensa

Perdoar dói tanto porque é resultado de uma ofensa. Houve alguém com quem nos relacionámos num determinado momento que teve uma acção ou uma omissão que provocou em nós um sentimento de ofensa, provocou em nós tristeza, mágoa, dor, desilusão, entre muitos sentimentos, levando a que esse relacionamento se tornasse pouco amistoso, ou até interrompido mesmo.

A ofensa por acção

§ A ofensa por omissão
Porque vai contra o nosso instinto de auto-preservação
§ A defesa do “animal” humano
§ O instinto de magoar
§ Dar a outra face
Porque ofende o nosso orgulho
§ A nossa auto-estima
§ O amor próprio
§ O pecado do orgulho
§ A vaidade ofendida, outra forma de orgulho
Porque até a Deus doeu perdoar
§ A dor de Deus por Adão
§ A dor de Deus por Noé
§ A dor de Deus por Abraão
§ A dor de Deus por Israel
§ A dor de Deus por Cristo em amor do Homem
O que perdoar não é.
Julgar
§ Tirar conclusões precipitadas
§ Exigir do ofensor o que não estamos dispostos a cumprir em situação inversa
§ A posição de superioridade moral
§ Humilhar
Ter razão
§ O vazio da razão
§ O engano da emoção
§ O diálogo acertivo
Ofender
§ Ofender a integridade pessoal
§ Ofender a integridade dos que amamos
§ Ofender o próximo
Procurar culpados
§ O bode expiatório
§ O perdão por interposta pessoa
A quem devo perdoar?
Ao próximo
§ Quem é o próximo
§ Qual a importância de perdoar a alguém que não conheço
Ao inimigo
§ Quem é o meu inimigo
§ Porque perdoar ao inimigo
§ Como ultrapassar o desejo de o magoar ainda mais (vingança)
A quem se arrepende da ofensa feita
§ A espera do arrependimento
§ Induzir ao arrependimento
§ Entender um arrependimento
A todos quantos a mágoa for pior do que o perdão
§ Perdoar sem arrependimento
§ O exemplo de Deus
§ Um coração puro
O que é afinal o perdão?
Aceitar o arrependimento
§ Receber o perdão sem superioridades e humildade
§ Empatia com o ofensor
§ Ajudar a que não haja reincidência
Viver com a ofensa
§ Uma ofensa profunda
§ A vida depois da ofensa
§ Olhando nos olhos do ofensor
Crescer com a ofensa
§ O que se aprende
§ O crescimento pessoal
§ A escola de Deus
Superar o instinto de rebuscar as ofensas
§ Não atirar à cara
§ Não dizer “outra vez”
Esquecer
§ Perdoar à maneira de Deus
§ Será possível esquecer?
É possível perdoar?
Não é possível perdoar como Deus
§ O perdão de Deus é total
§ O perdão de Deus é permanente
§ O perdão de Deus é profundo
§ O perdão de Deus é perfeito
É possível perdoar com a ajuda de Deus
§ A busca do varão perfeito
§ Perdoar como Deus nos perdoou
§ Perdoar totalmente como Homem
§ Perdoar permanentemente como Homem
§ Perdoar profundamente como Homem
§ Perdoar perfeitamente como Homem
Perdoar tem de ser possível
§ O mandamento do perdão
§ Perdão: o cimento de uma forte relação
Existem diferentes formas de perdoar diferentes ofensas?
Sim cada ofensa tem sua forma de perdoar
§ A estrutura do perdão
§ O nosso olhar e sentir é que são diferentes
Perdão no casamento
§ A fidelidade
§ A cama
§ Os filhos
§ A casa
§ Os outros
§ A Igreja
Perdão na amizade
§ O amigo verdadeiro
§ A verdade
§ A sinceridade
§ A distância
§ Terramotos
Perdão na relação entre pais e filhos
§ O amor de Deus
§ A ofensa dos pais
§ A ofensa dos filhos
Perdão entre irmãos
§ Cresceste comigo
§ A casa do irmão
§ A ofensa que não quer sarar
Perdão na Igreja
§ Viver em comunidade
§ A Igreja e a Bíblia
§ Unidade na diversidade
§ O mesmo Espírito
Quantas vezes devo perdoar a alguém as suas ofensas?
Setenta vezes Sete
§ Os setes de Deus
§ 490 vezes será o suficiente
§ Quantas vezes ofendo eu
O coração abundante em perdão
§ O coração do Pai
§ O coração do Servo
§ O coração do Adorador
Posso recuperar o meu relacionamento depois de perdoar?
Não se apenas parece que perdoas
§ O perdão do fariseu
§ O endurecimento do coração
Sim se realmente perdoares
§ O perdão sincero
§ O perdão valoroso
O que o amor tem a ver com o perdão?
O amor é a base do perdão
§ Só existe ofensa se existir amor
§ Só existe perdão se existir amor
Devemos perdoar com amor e compreensão
§ O valor do amor
§ A compreensão: “eu também peco”
O objectivo do perdão é recuperar um amor ferido
§ A dor do relacionamento ferido
§ Qual é a maior dor
§ Olhar e perdoar
(Estudo apenas parcialmente desenvolvido, apresentado apenas o resto da estrutura)
Sérgio Bernardo

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